Tambores do mundo em quatro sábados de música, encontros e experiências
Tambores do mundo em quatro sábados de oficinas, música, encontros, experiências e homenagem a Fernando do Ó

4º FESTIVAL DE PERCUSSÃO ECARTA MUSICAL
A Fundação Ecarta transforma sua sede em um grande território de ritmos durante a 4ª edição do Festival de Percussão Ecarta Musical, que será realizado em outubro. Serão quatro sábados dedicados à diversidade da percussão, reunindo artistas, músicos e pesquisadores em oficinas que atravessam diferentes culturas e tradições.
Do sopapo afro-gaúcho ao djembê africano, do pandeiro ao handpan, do derbake ao bombo leguero, da castanhola aos tambores orientais e à cerâmica sonora, a programação convida músicos, estudantes e pessoas interessadas em música a experimentar instrumentos, conhecer suas histórias e descobrir diferentes possibilidades do ritmo.
A cada edição o festival cresce em diversidade de instrumentos e oficineiros, que nesta edição chega a 10, integrante novos instrumentos como o sopato e snujs.
A quarta edição presta homenagem ao percussionista Fernando do Ó, referência da música gaúcha e brasileira e mestre de diferentes gerações. A curadoria é do percussionista Cândido de Castro.
O encerramento será no dia 31 de outubro, às 18h, com o show Tambores do Mundo.
datas
10, 17, 24 e 31 de outubro
curadoria
Cândido de Castro
inscrição
Podem ser feitas para mais de uma oficina, conforme segue:
01 oficina – R$ 150,00
02 oficinas – R$ 140,00 cada uma
03 oficinas – R$ 130,00 cada uma
Formulário de pré-inscrição para as oficinas
PIX Chave CNPJ 27497511000117
HOMENAGEADO
Fernando do Ó
Sua trajetória levou a percussão brasileira a diferentes países da América do Sul, América Central, Europa e Oceania. Também desenvolveu importante trabalho de formação, ministrando oficinas de percussão na Ufrgs, UPF, UFPel, UFSM e em escolas do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre.
Foi homenageado pela Coordenação de Música de Porto Alegre, em 2013; pelo 2º Encontro Nacional Bateras do Sul, em Canela, em 2019; e pelo Festival de Música de Nova Prata, em 2025. Participou do POA Jazz em 2019, com o grupo Raiz de Pedra, e em 2023, com o grupo de Carlos Badia.
Foi ainda contemplado pelos projetos Trajetórias, Marco Polo e Funarte. Neste último, conquistou o terceiro lugar nacional com trabalho em vídeo dedicado à percussão brasileira. A homenagem do Festival reconhece sua contribuição à música, à formação de percussionistas e à difusão da percussão brasileira.
10 DE OUTUBRO
10h30 | Percussão Oriental – Pais & Filhos
Uma aproximação com instrumentos, técnicas e ritmos da percussão oriental, explorando diferentes possibilidades sonoras e culturais dessa tradição.
Cândido de Castro
Percussionista, produtor, pesquisador e facilitador cultural, Cândido de Castro desenvolve pesquisas sobre instrumentos e tradições percussivas orientais, persas e celtas. Teve Fernando do Ó como seu principal mestre entre 2001 e 2003, período em que estudou percussão e ritmos brasileiros.
É criador de projetos como Tambor Falante, voltado a jovens da periferia de Viamão; O Feminino e o Tambor; e Tambores do Oriente, dedicado ao estudo da percussão persa. Também idealizou o Festival Cult Circuito e é curador do Festival de Percussão da Fundação Ecarta.
Atua em diferentes formações musicais e já participou de trabalhos com artistas como Benjamin Taubkin, Nelson Coelho de Castro, Fernando Sessé, Gelson Oliveira, Marcel Powell, Hique Gomez e Pingo Borel, entre outros.
Participou, em 2024, 2025 e 2026, do festival Tamburi Mundi, em Freiburg, na Alemanha, onde aprofundou estudos com percussionistas de diferentes países e tradições. Também realizou estudos na Turquia. É estudante de Licenciatura em Música na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs).
14h | Snujs – ritmos e práticas
Um encontro dedicado aos snujs, pequenos címbalos metálicos tradicionalmente associados à dança árabe, abordando ritmos, técnicas e práticas com o instrumento.

Fernanda Mansur
Bailarina, coreógrafa, professora e pesquisadora da dança árabe, Fernanda Mansur possui mais de 30 anos de trajetória dedicada à arte e à cultura. Iniciou sua formação artística ainda jovem e, aos 15 anos, já ministrava aulas de danças gaúchas. Posteriormente, especializou-se em Dança do Ventre, construindo uma carreira marcada pela pesquisa, ensino, criação e atuação em palcos nacionais e internacionais. Em 2008, iniciou carreira internacional em turnês por países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Líbano, Omã, Marrocos, Tunísia e Síria.
Em 2013, retornou ao Brasil e fundou sua escola de Dança do Ventre, formando centenas de alunas e criando a Companhia Al Farah, premiada em festivais, entre eles o Festival de Dança de Joinville. Em 2019, voltou a residir no Líbano, ampliando sua experiência profissional no Oriente Médio. Atualmente atua como professora, coreógrafa e artista em espetáculos, oficinas e projetos que valorizam a cultura árabe e a dança como expressão artística, cultural e de identidade.
16h30 | Bombo Leguero
Em roda, os participantes desenvolvem a linguagem coletiva do bombo leguero, passando por toques tradicionais como zamba e chacarera, sapateios e repiques, além de experimentar formas de interpretar ritmos da cultura gaúcha. Não é necessária experiência prévia. Instrumentos serão disponibilizados.
Pedro Borghetti
Músico, compositor e produtor, Pedro Borghetti recebeu o Prêmio Açorianos de Música 2020 na categoria Compositor MPB por seu primeiro trabalho solo, Linhas de Tempo.
Participou da trilha sonora do longa-metragem Legalidade e produziu a trilha da peça infantil De La Mancha: O Cavaleiro Trapalhão. Em 2022, assinou a produção musical do álbum Os Poetas Nunca Dormem. Em 2023, lançou seu segundo trabalho solo, Pendenga, e, em 2025, o trabalho acústico Desavenças.
17 DE OUTUBRO
10h30 | Pandeiro Moderno
O encontro aborda o Pandeiro Moderno, técnica difundida pelo percussionista Marcos Suzano que ampliou as possibilidades do pandeiro para além dos ritmos tradicionais brasileiros, aproximando-o também da música pop, contemporânea e do jazz.
Serão trabalhadas técnica, ritmos brasileiros e de outras culturas, padrões contemporâneos e possibilidades de criação. Os participantes podem levar qualquer tipo de pandeiro, preferencialmente de couro. Alguns instrumentos serão disponibilizados.
Fernando Sessé
Nascido em Porto Alegre, Sessé começou a tocar bateria aos 12 anos, embora sua relação com a percussão tenha começado ainda na infância. Estudou no Rio de Janeiro com Robertinho Silva e Marcos Suzano e na Escola de Música Villa-Lobos. De volta a Porto Alegre, em 2002, passou a tocar e gravar com artistas de diferentes estilos, entre eles Adriana Deffenti, Marisa Rotenberg, Gisele De Santi, Mário Falcão, Caio Martinez, Nei Lisboa, Tati Portella e Elias Barboza.
Em 2014, lançou seu primeiro disco, Em Frente, e, em 2017, Rio Comprido, com Robertinho Silva. Seu trabalho caracteriza-se pela combinação de instrumentos eletrônicos e acústicos. É bacharel em Música Popular pela Ufrgs.
14h | Derbake e ritmos árabes
Uma imersão no derbake, passando pelos principais ritmos da música árabe, suas origens e acentuações, formas de execução e contagem, história do instrumento e sua presença na música contemporânea.
Fabiano Derbak
Percussionista, iniciou sua trajetória profissional em 1998 por meio do flamenco e da música árabe. Em 2001, formou o primeiro grupo de música árabe do Sul do Brasil e lançou CD e DVD didáticos dedicados aos ritmos árabes. Trabalhou na China, em 2006 e 2007, apresentando-se em Macau, além de atuar no Uruguai e em diversas cidades brasileiras. Ao longo da carreira, apresentou-se com artistas do Oriente Médio, entre eles Mohamad Azra, Mohamad Ghareb e Fady Harb.
16h30 | Sopapo
O sopapo é um tambor de grandes dimensões e profundas raízes na cultura afro-gaúcha, ligado historicamente às antigas charqueadas. A oficina aborda sua história, construção tradicional, técnicas de toque e a sonoridade grave e marcante do instrumento. A prática coletiva valoriza a herança negra na formação musical do Rio Grande do Sul e a presença contemporânea do sopapo nos batuques, carnavais e diferentes manifestações culturais.
Edu do Nascimento
Produtor cultural, músico, educador social e tocador de sopapo, Edu do Nascimento é fundador do Ponto de Cultura Cabobu e possui longa trajetória ligada à cultura negra, à educação e às manifestações populares. Tocou por mais de 15 anos com Mestre Giba Giba, seu pai, e fundou a Banda Lugarejo para preservar e difundir seu legado. Fundador do grupo Sopaparia, ao lado de Mestre Paulo Romeu, do Afro-Sul, e do bloco Cuidado Que Já Nos Viram. É também ator, bonequeiro, artesão e Mestre Griô, com trajetória de décadas em projetos culturais e educativos.
24 DE OUTUBRO
10h30 | Ritmo & Handpan
Experiência destinada a músicos e também a pessoas sem formação musical. A primeira parte explora recursos de percussão corporal, consciência rítmica, diferentes compassos e dinâmicas coletivas. Depois, o handpan é apresentado como instrumento capaz de desenvolver o discurso rítmico e ampliar as possibilidades de interação musical.
Pablo Vares
Músico, compositor e multi-instrumentista uruguaio-brasileiro, Pablo Vares possui 18 anos de experiência e dedica sua pesquisa especialmente ao violão flamenco e ao handpan. Sua trajetória inclui apresentações na Alemanha, Portugal, Argentina, Uruguai e em diferentes regiões do Brasil. É pioneiro na fusão de ritmos do flamenco aplicados ao handpan e possui um modelo próprio do instrumento lançado no mercado. Já ministrou oficinas em universidades de Brasília e Salvador, no Instituto Cervantes, com apoio da Embaixada da Espanha, e participou da terceira edição do Festival de Percussão da Fundação Ecarta.
14h | Castanholas no choro e na MPB
Castanhola como você nunca viu: a proposta é levar o instrumento para o universo do choro e da MPB. Os participantes terão contato com tipos de toque, exercícios técnicos e construção de arranjos. Não é necessário possuir castanholas para participar.
Ana Medeiros (La Negra)
Bailarina de flamenco e percussionista, Ana Medeiros, La Negra, dedica-se há mais de 30 anos ao estudo e ensino da castanhola e da dança flamenca, ministrando aulas, oficinas e cursos no Brasil e na Espanha. Recebeu diversas premiações, entre elas Melhor Bailarina em 2012, Destaque Flamenco em 2017 e Melhor Espetáculo no Prêmio Açorianos em 2021. Em 2023, recebeu o Prêmio Açorianos de Melhor Bailarina Flamenca. Também foi contemplada com bolsa de estudos em Madri e desenvolveu um método pioneiro de toque e arranjo musical para castanholas, aliando sua experiência como bailarina à utilização do instrumento como solista. Em 2019, lançou com a Camerata Violões de Porto o álbum Carmen & os Violões, tornando-se a primeira concertista de castanholas e bailaora flamenca a gravar um disco no Rio Grande do Sul.
16h30 | Laboratório de Ritmos: Djembê e Dununs
É dedicado à percussão tradicional da África Ocidental. Experimentarão de técnicas básicas, sonoridades, pulsação e escuta coletiva, como eixo o Kuku, ritmo tradicional da região da Alta Guiné, trabalhado a partir da transmissão oral, repetição, memória, corpo e execução coletiva.

Loua Pacôm Oulaï
Dançarino, percussionista, ator e contador de histórias, Loua Pacôm Oulaï nasceu na Costa do Marfim, em uma família de artistas tradicionais, e possui raízes nas tradições Wé, Mandé e Akan. É licenciado em Música – Práticas Coletivas pela Ufrgs e possui formação profissional em Teatro, Dança e Comunicação Oral pelo Insaac, em Abidjan, Costa do Marfim.
Desde 2010, atua como instrutor de percussão em centros culturais e espaços artísticos. Estudou com mestres da Costa do Marfim, Burkina Faso e Guiné e integrou companhias de dança em seu país. Reside no Brasil desde 2016, atuando na difusão das culturas africanas por meio da música, dança, contação de histórias, espetáculos, oficinas e palestras. Em Porto Alegre, foi instrutor de percussão e dança no Centro Cultural Afro-Sul Odomodê entre 2016 e 2021.
31 DE OUTUBRO
10h30 | Cerâmica Sonora
A oficina de Cerâmica Sonora propõe um encontro entre arte, som e matéria. Os participantes serão convidados a criar seus próprios chocalhos, instrumentos ancestrais presentes em diferentes culturas como formas de expressão, comunicação e ritual. A atividade apresenta técnicas básicas de modelagem manual e explora o som como linguagem artística, estimulando criação autoral, percepção, presença e expressão. Mais do que produzir um objeto, a proposta é experimentar a criação sonora a partir do barro.
Ojo Ateliê
Idealizado pelas artistas Fer e Fiva, o Ojo Ateliê pesquisa a cerâmica em suas diferentes possibilidades: ritual, sonora, artística e funcional. O trabalho aproxima manualidade, arte e natureza, explorando desenho, escultura, construção e processos de transformação da matéria.
18h | SHOW TAMBORES DO MUNDO
Depois de quatro sábados percorrendo instrumentos, ritmos e culturas, o 4º Festival de Percussão Ecarta Musical encerra sua programação com o show Tambores do Mundo, celebrando a diversidade da percussão e o encontro entre diferentes tradições musicais.
